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Região gasta R$ 508 mi em campanha eleitoral Levantamento da equipe do Diário nos dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e nas informações fornecidas pelos partidos mostra que o limite de gastos na campanha dos candidatos do Grande ABC seria suficiente para manter toda a Prefeitura de Mauá, incluindo o gasto com folha de pagamento de todos os serviços e investimentos em Saúde, Educação e Segurança por um ano. Ou manter a Prefeitura de Rio Grande da Serra, com o orçamento atual, por 14 anos e meio. Com o dinheiro, estimado em R$ 508 milhões, daria para erguer 17 Quarteirões da Saúde, complexo hospitalar em Diadema com área construída de 20.000 m². Também seria possível levantar 7.000 apartamentos da CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano) com o padrão dos oferecidos em São Caetano. Todo esse dinheiro foi estabelecido como teto de gastos das campanhas para postulantes à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal pelos próprios partidos, no processo de registro das candidaturas no TRE-SP (Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo). De acordo com a legislação, "o gasto de recursos, além dos valores declarados nos termos deste artigo, sujeita o responsável ao pagamento de multa no valor de cinco a dez vezes a quantia em excesso". Por isso que o valor é tão elevado: dificilmente o candidato chegará a derramar essa quantia. Exemplo é a eleição de 2006, quando os nove deputados estaduais eleitos pela região declararam, juntos, gastos de R$ 4,639 milhões nas campanhas. Neste ano, o partido que permitiu mais gastos para deputado estadual foi o PV (Partido Verde). Cada candidato da legenda terá direito a desembolsar R$ 5 milhões, suficientes para comprar dois Bugatti Veyron, considerado o carro mais caro do mundo (R$ 2,5 milhões). Já a sigla que mais limitou as despesas é o PCO (Partido da Causa Operária). Os políticos terão que se contentar com no máximo R$ 25 mil para divulgar suas propostas - equivalente ao Ka, carro popular nacional. Por outro lado, dez partidos permitiram aos candidatos a deputado federal usar R$ 5 milhões na corrida à Câmara. PRB, PT, PR, PCdoB, PTdoB, PSL, PSB, DEM, PTB e PDT autorizaram, juntos, gastos de R$ 125 milhões entre os 25 postulantes do Grande ABC. De novo, os políticos do PCO são os com menos recursos financeiros para promover a campanha. O partido só liberou os candidatos a gastar, no máximo, R$ 25 mil. Região contabiliza 178 postulantes nesta eleição O número é 48% maior do que há quatro anos, quando 120 pessoas com domicílio eleitoral no Grande ABC disputaram a eleição. Na época, foram 40 postulantes a deputado federal, contra 74 hoje, e 80 a estadual - agora são 104. O grande número de concorrentes, porém, não é sinal de sucesso nas urnas. Em 2006, só 9,1% conseguiram se eleger - nove para a Assembleia e dois para a Câmara Federal. Nestas eleições, se a proporção se repetir, o Grande ABC tem a possibilidade de fazer de 16 a 17 parlamentares. A chance aumenta se considerado o crescimento do número de eleitores em quatro anos, que subiu 112 mil desde a eleição passada. Naquele pleito, o deputado estadual mais votado da região foi Orlando Morando (PSDB), com 120 mil adesões. José Bittencourt (PDT) foi o com menor número de sufrágios (41,5 mil) a se eleger para a Assembleia. Para a Câmara Federal, Frank Aguiar (PTB) recebeu 144 mil votos e Vicentinho (PT), 97 mil. Valor representa 5,4% do total estadual O valor corresponde a pouco mais da metade do salário-mínimo vigente no País, de R$ 510, e ultrapassa custo da cesta básica de São Paulo divulgado neste mês pelo Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos), de R$ 249,06. Apesar do número, muitos dos candidatos da região conquistarão votos também fora do Grande ABC. Entre os nove deputados estaduais eleitos em 2006, por exemplo, José Bittencourt (PDT-Santo André), angariou pequena parcela dos 41 mil votos no Estado em seu domicílio eleitoral e cidades vizinhas (pouco mais de 4.000 votos). Além de expandir a distribuição do emprego da verba de campanha para outras regiões, projetando a conquista de votos que podem fazer a diferença nas eleições, os candidatos mostram que neste ano estão mais dispostos a fisgar o eleitorado através do material publicitário, que cada vez mais vai cumprindo o seu papel de fixar o nome e as propostas do político na cabeça dos eleitores. A prática, aliada ao tradicional corpo a corpo, move qualquer estratégia de campanha. Resta posteriormente a já costumeira onda de sujeira em frente às zonas eleitorais. Total no Estado - A estimativa de gastos nas campanhas dos candidatos do Grande ABC representa 5,44% do total de São Paulo - impressionantes R$ 9,3 bilhões para os 3.102 inscritos no Estado. Destes, 1.859 disputam uma das 94 cadeiras na Assembleia Legislativa. O restante tenta assumir uma das 70 vagas a disputa do Federal. O partido que prevê mais gastos na corrida tanto para a Câmara Federal (R$ 1,2 bilhão) quanto para Estadual (R$ 500 milhões) é o PV. Na outra ponta da tabela está o PCO, com apenas quatro candidatos e despesa somada de R$ 125 mil. Fonte: Mark Ribeiro e Raphael Di Cunto, do DGABC |